Por Vanda Nunes Santana, militante da Marcha Mundial das Mulheres

A média mundial de participação da mulher no legislativo é de 22%, conforme dados da medição interparlamentar realizada em 2017. O Brasil está abaixo dessa média mundial, com 13% de mulheres no Senado Federal, 9,9% na Câmara dos Deputados, 10% na Assembléia Legislativa de São Paulo, e 20% no legislativo municipal. A Organização das Nações Unidas (ONU) classificou o Brasil na posição de nº 121 no ranking de proporção de mulheres na política, abaixo inclusive de países do Oriente Médio!
Nas últimas eleições, realizadas em 2016, 493 mil candidatos disputaram os cargos de prefeitos(as) e vereadores(as). Desse total, 87% eram homens, brancos e acima de 50 anos! Essa configuração repercute na baixa representatividade das mulheres, pois esses 87% de candidatos se transformaram em 85% dos parlamentares eleitos em todo o país: homens, brancos, heterossexuais e com mais de 50 anos. São dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Esse é o nosso cenário político, no qual mulheres, negros, negras, jovens e LBGTs não se vêem, pois estão subrepresentados.
Apesar da Lei 12.034/99, que prevê 30% de candidaturas femininas, a presença da mulher não é democratizada no parlamento, as cotas não são preenchidas com antecedência e, dessa forma, cumprem apenas a exigência legal. Ainda nessa questão, o fator econômico evidencia o enorme abismo que amplia a desigualdade de gênero na política, pois as candidatas recebem 70% a menos dos repasses do Fundo Partidário e das doações de campanha.
Para impulsionar as candidaturas de mulheres, a Secretaria Nacional de Mulheres do PT criou o “Projeto Elas por Elas”, lançado nacionalmente em Curitiba no mês de abril. O projeto prevê a criação de Grupos de Trabalho Eleitoral em todos os Estados, espaços políticos de discussão e elaboração para a eleição de 2018, fazendo a ponte, dialogando com sindicatos, movimentos sociais e populares e grupos políticos, além da reedição da Cartilha Lilás, que traz o acúmulo da pauta das mulheres e do movimento feminista e uma Carta-Compromisso, que será assinada por todos os candidatos e por todas as candidatas no ato de sua inscrição.
Para diminuir a desigualdade de gênero na política, é necessário eleger mulheres. Mulheres feministas, envolvidas nos movimentos sociais e que, ao serem eleitas, pautem nas políticas públicas essa demanda.
É fundamental que as candidaturas de mulheres do PT sejam uma resposta ao capitalismo, ao golpe dado contra a presidenta Dilma, e ao patriarcado. Eleger mulheres trabalhadoras, que defendam a pauta feminista, que lutem contra as desigualdades, que possam combater a objetificação da mulher e que estejam na defesa constante da luta contra a opressão.
Precisamos reconhecer que a opressão é social e que na base social da pirâmide estão as mulheres negras, oprimidas por serem mulheres, por serem pobres, e por serem negras. E agir contra esse estado de coisas. Só vamos avançar se a dignidade humana e a justiça social forem nosso objetivo, e para isso as candidaturas de mulheres devem ter como bandeira a luta pela vida digna de todas as mulheres.

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